A confluência de dois movimentos simultâneos a partir dos últimos anos do século passado - o «documentary turn» na arte contemporânea e a saída do cinema para espaços tradicionalmente ligados à arte - veio redesenhar a práctica documental e abrir novas perspectivas no âmbito da produção teórica sobre o género. Denominador comum da maior parte das definições de documentário, o "truth claim" deixa de ser plenamente operatório, obrigando a um reposicionamento do problema. Como referem Maria Lind e Hito Steyerl, «o double bind é forte: por um lado, as imagens documentais são mais poderosas do que nunca. Por outro lado, temos cada vez menos confiança nas representações documentais».Tomando como ponto de partida esta asserção, este colóquio visa questionar as passagens entre cinema e arte contemporânea, centrando-se nas relações entre documentário e ficção e no lugar que noções como verdade, autenticidade, objectividade e realidade ocupam nas práticas documentais artísticas actuais. Que novos instrumentos surgem para repensar o documentário fora do seu contexto tradicional? Como se reposicionam as questões radicionalmente ligadas à verdade, à ética e à realidade? Como são afectados os protocolos de negociação entre espectador e obra?
Programa
5ª feira, 25 de Outubro, 10h00
- Eric Baudelaire
- Alisa Lebow e Augusto Seabra em conversa com Chantal Akerman
26 de Outubro
- Aline Aillet: The documentary turn: rethinking documentary in the art arena
- Françoise Parfait
- João Nisa
- Nicole Brenez: Le Concept d'Art au Regard du Documentaire
27 de Outubro
- Jacinto Lageira: Ver, Rever, pre-ver
- Jean-Pierre Rehm
- Louidgi Beltrame
- Paula Albuquerque: Surveilling the Affected Algorithm