Em 2012 o doclisboa realizará a sua décima edição. Se cada uma das edições constitui, na sua singularidade, um momento fundamental, este ano existem circunstâncias que nos convidam a repensar o festival no seu todo.
O momento político, económico e social em que vivemos é um desafio a encontrar novos modos de organização e colaboração: entendemos que a estrutura de um festival de cinema deve apresentar-se como proposta clara de um modo de agir e pensar no contexto em que existe. Deste modo, a direcção assume-se enquanto colectivo de trabalho.
O festival será pensado como um lugar onde a coexistência (de filmes, pessoas, ideias, visões, pontos de vista) pode ser transformada em inscrição no real. Falamos de uma pluralidade enquanto força colectiva que se implica directamente no mundo. Procuramos que o festival traga consigo uma energia crítica que se conjugue com o esforço daqueles que trabalham pelo cinema independente em Portugal e no mundo, que resistem e lutam pela existência de condições autónomas de exibição, discussão, formação de públicos e pensamento crítico.
Assim, apresentamos um compromisso claro com o público e com a comunidade que constitui o cinema em Portugal: o de lutar por um doclisboa cheio de energia, e por um rigor e clareza quanto a uma visão do cinema como prática artística e política que comporta uma força de resistência e transformação.
Ana Jordão, Cinta Pelejà, Cíntia Gil e Susana de Sousa Dias.