Corpo Futuro

O futuro talvez seja a categoria mais ambígua, simultaneamente abstracta e absolutamente corporizada em visões, esperanças, gestos, desejos e medos. Este programa opera a partir de filmes que, seja enfrentando directamente essa ideia, seja buscando no passado e no presente a sua matéria, nos oferecem intuições, pequenas aberturas que nos trazem a jogo nesta relação com essa absoluta alteridade gerada por todos nós, essa estranha comunidade à qual pertencemos já, por afecto e apropriação.

CORPO FUTURO 1

21 OUT / 18.45, Culturgest – Pequeno Aud.

Obsessão e detalhe, linhas de fuga na história já determinada das mulheres, de geração em geração. Pilar Palomero mergulha numa frase do diário da avó, perguntando como continuar as que a precedem, trazendo um outro tempo, o do cinema. Mania Akbari afronta as normas do corpo e da maternidade, das imagens deles, criando com Douglas White um filme e um bebé, afirmando o desejo como reinscrição no mundo.

CORPO FUTURO 2

23 OUT / 19.15, Culturgest – Pequeno Aud.

Olhar obsessivamente para uma coisa enquanto nos falam de outra: o exercício da atenção aqui e agora, enquanto outros tempos entram pela imagem, num jogo paranóico sobre a responsabilidade do artista. Depois, Breton e Trotski, no México, redigem o Manifesto por uma Arte Revolucionária: jogo de atenção e detalhe, dois actores entre a representação do passado e o limbo do futuro.

CORPO FUTURO 4

25 OUT / 19.00, Culturgest – Pequeno Aud.

Dois filmes que inventam os oráculos possíveis no presente – a imaginação, o inconsciente colectivo, contaminados pela história e as representações do nosso tempo. Sarah Vanagt pede a crianças que olhem para marcas recolhidas nas suas cidades e visionem o futuro. Brett Story, sob o sol de Agosto, em Nova Iorque, constrói um coro do presente que nos permite imaginar o futuro a vir.

CORPO FUTURO 3

20 OUT / 14.00, Culturgest – Pequeno Aud.

Um eclipse solar traz um espaço-tempo excepcional. A voz de Delphine Seyrig transporta-nos para Michaux falando de um longínquo país, um lugar inventado desde o nada, trazendo promessas de felicidade e declínio. Philip Hoffman filma uma quinta, animais e árvores como se a tragédia e a violência com que um segundo depois tudo pode ser totalmente outra coisa estivessem à espreita.

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