Competição Internacional
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Para onde vai o documentário
português? [ver]
Foco sobre Espanha
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Como entender o Médio Oriente
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Sessões especiais [ver]
O doclisboa
vai apresentar 8 dias de projecções em regime intensivo
que nos vão ajudar a perceber, por um lado o estado do mundo
(o ressurgimento do cinema político, o passado enquanto conhecimento
da História e das suas personagens mais singulares) e por
outro, a situação do documentário contemporâneo
– cuja fronteira com a ficção é cada
vez mais ténue.
O cinema documental é aqui apresentado enquanto viagem iniciática
ou road movie mas também como expressão íntima,
de carácter (auto)biográfico. Apostámos na
variedade dos temas e das escritas cinematográficas.
Competição
Internacional
A secção competitiva do festival é
composta por 17 longas-metragens
e 12 curtas-metragens documentais de todo o mundo, na sua maioria
inéditas em Portugal e premiadas em festivais.
A selecção reúne os filmes
de maior relevo produzidos entre 2003 e 2004.
Destaca-se um grupo de filmes polémicos, que
serviram para questionar questões políticas e de justiça
nos seus países de origem: 10ème
Chambre; O Prisioneiro da Grade de Ferro; Justiça; Les Escadrons
de la Mort; Le Génie Helvétique; Checkpoint; Le Mur,
etc. Em complemento, pode-se falar de um grupo de filmes que interrogam
a história, muitas vezes para compreender melhor o presente:
Santa Liberdade; The House of Saoud; Grandad’s
Waking Dream; No Jardim do Mundo…
A vida do dia a dia e tudo o que é mais central
no documentário estará presente numa constelação
de obras muito variadas: Landscape; A Scuola;
La Peau Trouée; In the Dark; The Weel; Untertage; Olhar por
dentro; Fruitful Summer; The City Beautiful…
Finalmente, a arte tem um lugar privilegiado enquanto
espelho do mundo: Bright Leaves; Cinévardaphoto;
Sylvia Kristel – Paris; El pequeño pianista...
Da Europa à Ásia passando pela América,
uma diversidade de géneros e de culturas serão visitados
pelos filmes documentais a concurso no doclisboa 2004.
Origem dos filmes em Competição:
Alemanha, Bélgica, Bielorússia, Brasil, Cambodja,
China, Cuba, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França,
Holanda, Índia, Israel, Itália, Portugal, Rússia
e Suíça.
[TOPO]
Para
onde vai o documentário português? Esta
secção tem como objectivo reflectir e debater o rumo
da produção do documentário português
durante os últimos anos. Neste sentido, o doclisboa 2004
apresenta uma mostra de dez filmes de curta e longa-metragem, seleccionados
de entre 70 enviados ao Festival.
A selecção das obras privilegia uma
grande diversidade de estilos e géneros: do documentário
estritamente observacional ao retrato íntimo; da montagem
cuidada de entrevistas à narrativa na primeira pessoa.
É interessante notar a presença de
produções independentes de qualidade. Apesar da precariedade
generalizada com que são feitos os documentários em
Portugal, comprova-se uma vontade de filmar contra a corrente (sem
os apoios tradicionais) e a capacidade de o fazer com brio.
Também é interessante referir um esboroamento
das fronteiras da produção nacional. Contam-se nesta
secção várias co-produções internacionais
e parcerias de outro tipo: um filme de uma realizadora portuguesa
(Maria de Medeiros) produzido por produtores franceses; o de uma
realizadora alemã (Christine Reeh) ou o de uma realizadora
inglesa residente em Moçambique (Karen Botswall) produzidos
por produtores portugueses; um filme sobre a Aldeia da Luz com uma
parceria luso-suiça…
Os debates que se realizam no final de cada sessão
permitirão reunir elementos para um futuro encontro de produtores
e realizadores portugueses de documentário.
O Prémio doclisboa / Tóbis para
“melhor documentário português” será
atribuído pelo júri a um dos 10 filmes presentes na
secção Para Onde Vai o Documentário Português?
ou a um dos dois filmes portugueses presentes na secção
internacional.
[TOPO]
Foco
sobre Espanha O ensaísta, professor
universitário e crítico do diário El País,
Casimiro Torreiro, vai apresentar na Culturgest alguns de entre
muitos documentários estreados em sala nos últimos
anos em Espanha. Eis alguns excertos do texto - A
propósito de uma ressureição
- que escreveu para o catálogo do doclisboa…
"Setembro de 2003. Por ocasião
do festival de cinema de San Sebastián, o mais importante
dos eventos cinematográficos espanhóis, a ministra
da Educação e Cultura do governo do Partido Popular,
Pilar del Castillo, manifestava-se perante os meios de comunicação
social contra uma modesta produção quase artesanal,
ainda que de importante impacto, La
Pelota Vasca, primeiro documentário
de um consagrado realizador de ficção, Julio Medem,
concebido como uma contribuição pessoal para a análise
da complexa situação sociopolítica do País
Basco. Pouco antes, o mesmo governo conservador tinha recusado
ao filme um apoio para a sua promoção internacional
e exibição no festival de Londres.
A reacção da ministra que, na lógica de tantos
censores que a precederam, reconhecia não ter ainda visto
o filme (de facto, a sua estreia pública foi uns dias depois,
no mesmo festival de San Sebástian), marcou simbolicamente
uma espécie de emergência geral do documentário
espanhol à escala pública (como na actualidade existe,
a outro nível Fahrenheit
9:11 de Michael Moore). Uma coisa era
que um filme documental chegasse de quando em quando aos circuitos
comerciais, ou até alcançasse um êxito pontual
entre minorias (os 145.000 espectadores de En
Construcción, 2000, de José
Luis Guerín, por exemplo), mas outra bem diferente sucedeu
com a mobilização generalizada da opinião
pública e dos políticos a partir de um documentário,
como foi o caso de La Pelota Vasca
(375.000 espectadores).
Os caminhos que se abrem ao documentário espanhol não
são fáceis, mas sim promissores."
Casimiro Torreiro
[TOPO]
Como
entender o Médio Oriente? Ao
reunir um conjunto de 13 obras maiores realizadas sobre o conflito
israelo-árabe nos últimos 15 anos, Marie-Pierre Duhamel
Müller, comissária desta secção, pretendeu
dar uma ideia da potencialidade do cinema documental em entender
uma região em permanente conflito.
"Como dar uma ideia, ainda que parcial ou
fugaz, daquilo que o documentário pode contar, hoje em
dia, a respeito de uma região do mundo desde há
muito assimilada a um tabuleiro de xadrez?
E os cineastas? Em que medida são diferentes? Eles não
falam apenas do conflito. Seguem pelas estradas mais longas, mais
tortuosas, que correm independentes, sem repetir os caminhos já
traçados dos discursos políticos, das convicções
calcificadas, das falsas evidências que resistem até
à cegueira.
O que consegue fazer ver o cinema a não ser aquilo que
os poderes escondem? A não ser a complexidade dos seres
e das situações? Uma complexidade que pode gerar
empatia ou crítica, mas que coloca constantemente os seres
filmados ao nosso lado, transformando-os em seres iguais a nós,
surpreendentes, impensáveis, desconhecidos e às
vezes até repugnantes ou terrivelmente semelhantes."
Marie-Pierre Duhamel-Müller
[TOPO]
Sessões
Especiais [ver
lista de filmes]
Master Class com Nicolas Philibert
A Master Class de Nicolas Philibert no Grande
Auditório da Culturgest terá uma duração
de duas horas. O realizador do polémico Être
et Avoir (documentário sobre uma
escola de aldeia, visto por mais de 5 milhões de espectadores
e estreado em Portugal este ano) vai fazer uma apresentação
do seu trabalho e do seu modo de filmar, com projecção
de excertos de alguns dos seus filmes.
Nicolas Philibert também apresentará
e debaterá com o público um dos seus filmes mais polémicos
La Voix de son Maître - inédito
em Portugal, realizado em parceria com Gérard Mordillat.
Nicolas Philibert nasceu em 1951 na cidade de Nancy.
Após concluir a licenciatura de Filosofia na Universidade
de Grenoble, estreia-se como assistente de realização
de autores como René Allio, Allain Tanner e Claude Goretta.
Em 1978 realiza, em parceira com Gérard Mordillat, La
Voix de son Maître, filme com entrevistas a quinze
dirigentes de grandes grupos industriais franceses que, por razoes
políticas, foi proibido em França durante vários
anos. Desde 1989, Nicolas Philibert realizou seis documentários
estreados em salas de cinema. A sua obra mais recente Être
et Avoir foi distinguida com o Prémio Louis Delluc.
Filmografia
1978 - La Voix de son Maître (co-realização
com Gérard Mordillat)
1986 - Christophe
1987 - Trilogie pour un homme seul
1988 - Le Come-back de Baquet
1990 - La Ville Louvre
1992 - Le Pays des sourds
1994 - Un animal, des animaux
1996 - La Moindre des choses
1998 - Qui sait?
2002 - Être et avoir
As inscrições para a Master
Class são gratuitas.
Devem ser feitas por email:
nina@doclisboa.org
[contendo: nome e o contacto (telefone
e email) do interessado]
Os filmes são legendados em português.
Os filmes portugueses e muitos dos estrangeiros serão apresentados
pelos seus realizadores. Grande parte das projecções
será seguida de um debate com os realizadores, produtores
e críticos de cinema.
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