{"id":5805,"date":"2019-09-03T18:00:07","date_gmt":"2019-09-03T18:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/?p=5805"},"modified":"2019-09-06T17:22:37","modified_gmt":"2019-09-06T17:22:37","slug":"da-terra-a-lua-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/da-terra-a-lua-2019\/","title":{"rendered":"Da Terra \u00e0 Lua com Werner Herzog, Lech Kowalski e muitos outros"},"content":{"rendered":"<p><b>Da Terra \u00e0 Lua<\/b>: uma sec\u00e7\u00e3o do Doclisboa que nos mostra (e que nos leva aos) m\u00faltiplos tempos do cinema e \u00e0s mais diversas quest\u00f5es dos indiv\u00edduos e da sociedade. Na 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o do festival, a sec\u00e7\u00e3o contempla um esp\u00f3lio cinematogr\u00e1fico de grande diversidade, contando com <b>mais de 20 filmes<\/b> de todo o mundo, com <b>2 estreias internacionais<\/b> e <b>uma estreia mundial<\/b>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Integrado nesta sec\u00e7\u00e3o, e em estreia portuguesa, <b>Werner Herzog<\/b> apresenta dois dos seus filmes mais recentes. <b><i>Nomad: In the Footsteps of Bruce Chatwin<\/i><\/b> \u00e9 um document\u00e1rio que segue os passos e os caminhos que o escritor Bruce Chatwin outrora percorrera, antes do seu falecimento e que Herzog, numa aventura n\u00f3mada, explora (visualmente e fisicamente) para a descoberta da vida de um dos escritores mais vision\u00e1rios do s\u00e9culo XX e, acima de tudo, para a cria\u00e7\u00e3o de um filme de aproxima\u00e7\u00e3o visual de uma amizade que vive para al\u00e9m do tempo e do espa\u00e7o. <b><i>Family Romance LLC<\/i><\/b>, que teve a sua primeira exibi\u00e7\u00e3o em Cannes, \u00e9 um retrato ficcional (com uma forte tend\u00eancia visual documental) de uma componente da sociedade japonesa: o lado contratual do romance, da fam\u00edlia e dos amigos. Duas f\u00f3rmulas cinematogr\u00e1ficas distintas &#8211; um filme documental e um filme de fic\u00e7\u00e3o &#8211; que nos ligam mais uma vez ao universo multidisciplinar, ao olhar curioso de Werner Herzog: um dos realizadores mais prol\u00edficos da contemporaneidade.<\/p>\n<p>Depois de uma retrospectiva de homenagem no Doclisboa, em 2007, <b>Lech Kowalski<\/b> regressa ao festival. O realizador vai estar em Lisboa para apresentar <b><i>Blow It to Bits<\/i><\/b>, um filme que estreou na Quinzena dos Realizadores, em Cannes, e que segue a revolta, os protestos dos trabalhadores da f\u00e1brica GM&amp;s: um olhar necess\u00e1rio e inevit\u00e1vel sobre a situa\u00e7\u00e3o, sobre a vida desta comunidade e destes indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>O Carnaval, as vozes, os c\u00e2nticos, a celebra\u00e7\u00e3o e um clamar gritante de resist\u00eancia na Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira, no Brasil, \u00e9 o contexto retratado em <b><i>O\u00f9 en \u00eates-vous, Teresa Villaverde?<\/i><\/b>, de <b>Teresa Villaverde<\/b>: uma curta-metragem documental encomendada pelo Centre Pompidou, apresentada pela primeira vez no contexto da retrospectiva da realizadora, que decorreu este ano no museu parisiense e que estreia agora em Portugal, no Doclisboa.<\/p>\n<p><b>Billy Woodberry<\/b> apresenta <b><i>A Story from Africa<\/i><\/b>, um filme cujo primeiro impulso surgiu durante o processo de investiga\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio sobre M\u00e1rio Pinto de Andrade. Tudo come\u00e7ou com uma fotografia e \u00e9 atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de imagens de arquivo que se lan\u00e7a o discurso, que se motiva o olhar e se despoleta a discuss\u00e3o sobre a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio da popula\u00e7\u00e3o Cuamato, no Sul de Angola, pelo ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Uma mostra do outro lado da hist\u00f3ria: um lado muitas vezes esquecido, que procura dar voz e imagem aos registos, aos discursos e aos olhares perdidos. Esta tentativa de criar um novo discurso sobre o passado colonial est\u00e1 presente tamb\u00e9m em <b><i>Palimpsest of the Africa Museum<\/i><\/b>, de <b>Matthias De Groof<\/b>, que tem a sua estreia internacional no Doclisboa. Um document\u00e1rio que nos apresenta e que acompanha as renova\u00e7\u00f5es do Royal Museum for Central Africa, na B\u00e9lgica, que, numa tentativa de descoloniza\u00e7\u00e3o do discurso do museu, trabalha em conjunto com a COMRAF, grupo resultante de uma selec\u00e7\u00e3o de especialistas e representantes de organiza\u00e7\u00f5es africanas.<\/p>\n<p>Em estreia Internacional, <b>Kevin Jerome Everson<\/b> e <b>Claudrena N. Harold<\/b> apresentam <b><i>Hampton<\/i><\/b>: a \u00faltima curta-metragem realizada por esta dupla de realizadores que, ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, se tem dedicado (juntamente com os seus alunos) a realizar filmes de an\u00e1lise &#8211; de cruzamento de tons ficcionais e documentais &#8211; sobre a situa\u00e7\u00e3o (e os momentos-chave da hist\u00f3ria) dos alunos afro-americanos da Charlottesville University of Virginia (UVA). Uma universidade fortemente ligada a uma cultura de extrema-direita, que o repert\u00f3rio visual destes realizadores procura desconstruir e denunciar, n\u00e3o dando voz aos opressores, mas sim ao estabelecimento e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de uma forte comunidade de alunos afro-americanos. A s\u00e9rie de curtas-metragens <b><i>Sugarcoated Arsenic<\/i><\/b>, <b><i>We Demand<\/i><\/b>, <b><i>How Can I Ever Be Late<\/i><\/b>, <b><i>Fastest Man in the State<\/i><\/b>, <b><i>70kg<\/i><\/b> e <b><i>Black Bus Stop<\/i><\/b> ser\u00e1 exibida em conjunto com o seu novo filme, contando com a presen\u00e7a de Claudrena N. Harold no festival.<\/p>\n<p>Quest\u00f5es de territ\u00f3rios e identidades marcam igualmente a programa\u00e7\u00e3o Da Terra \u00e0 Lua: de continentes sul-americanos, a regi\u00f5es europeias, at\u00e9 ao continente africano. Em estreia mundial, <b>Claudio Carbone <\/b>apresenta <b><i>Until the Sun Dies<\/i><\/b>,<b><i> <\/i><\/b>uma produ\u00e7\u00e3o portuguesa que mostra a vida quotidiana e o tom de resist\u00eancia dos povos ind\u00edgenas americanos, problematizando as quest\u00f5es de reapropria\u00e7\u00e3o de terras e identidades perdidas, com foco no retrato do povo <i>terraba<\/i>, na Costa Rica. Em estreia internacional, o Doclisboa apresenta <b><i>O \u00daltimo Sonho,<\/i><\/b> de <b>Alberto \u00c1lvares<\/b>, realizador que esteve presente na Mostra Amer\u00edndia (organizada pelo Doclisboa) e que regressa a Lisboa para a 17\u00aa do Doclisboa. Do Brasil, o festival recebe tamb\u00e9m <i>Ch\u00e3o<\/i>, de <b>Camila Freitas<\/b>, depois da sua estreia internacional na Berlinale: um filme que acompanha uma ocupa\u00e7\u00e3o (e a luta constante) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). <b>Andr\u00e9s Duque<\/b> apresenta <b><i>Karelia: International with Monument<\/i><\/b>, um document\u00e1rio que estreou no IFFR e onde se procura (re)descobrir a identidade, as mem\u00f3rias e a hist\u00f3ria de Car\u00e9lia (regi\u00e3o situada entre a R\u00fassia e a Finl\u00e2ndia). <b><i>Movements of a Nearby Mountain<\/i><\/b>, de <b>Sebastian Brameshuber<\/b>, mostra-nos a rotina, o trabalho e a vida de um mec\u00e2nico nigeriano que vive numa regi\u00e3o remota dos Alpes, de onde exporta carros usados para o seu antigo pa\u00eds.<\/p>\n<p>A actualidade, a pol\u00edtica e o papel dos media s\u00e3o linhas tem\u00e1ticas presentes nesta sec\u00e7\u00e3o: <b><i>The Brink<\/i><\/b>, de <b>Alison Klayman<\/b>, <b><i>Brexit Behind Closed Doors<\/i><\/b>, de <b>Lode Desmet<\/b> e <b><i>On Air<\/i><\/b>, de <b>Manno Lanssens<\/b> s\u00e3o document\u00e1rios que nos permitem n\u00e3o s\u00f3 observar o <i>backstage<\/i> pol\u00edtico, como problematizam quest\u00f5es fulcrais como a manipula\u00e7\u00e3o, a censura e o aumento exponencial da presen\u00e7a da extrema direita nos tempos que correm.<\/p>\n<p>Do presente para o passado: <b><i>Heimat Is a Space in Time<\/i><\/b>, realizado por <b>Thomas Heise<\/b>, utiliza a imagem, a hist\u00f3ria, a mem\u00f3ria pessoal e familiar para uma representa\u00e7\u00e3o \u00edntima da hist\u00f3ria alem\u00e3 do s\u00e9c.XX. Para al\u00e9m da estreia portuguesa deste filme, o Doclisboa exibir\u00e1 mais obras da filmografia de Thomas Heise no contexto da j\u00e1 anunciada Retrospectiva <b>Ascens\u00e3o e Queda do Muro: O Cinema da Europa de Leste<\/b>: <b>Why Make a Film About People Like Them?<\/b>, <b>Volkspolizei<\/b>, <b>Das Haus<\/b>, <b>Snack-Special<\/b> e <b>Iron Age<\/b>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma programa\u00e7\u00e3o de vozes, de imagens, de temas do mundo: esta \u00e9 a programa\u00e7\u00e3o da sec\u00e7\u00e3o <b>Da Terra \u00e0 Lua<\/b>. O Doclisboa regressa \u00e0s salas lisboetas de <b>17 a 27 de Outubro<\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Terra \u00e0 Lua: uma sec\u00e7\u00e3o do Doclisboa que nos mostra (e que nos leva aos) m\u00faltiplos tempos do cinema e \u00e0s mais diversas quest\u00f5es dos indiv\u00edduos e da sociedade. 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