{"id":3363,"date":"2018-09-30T19:32:32","date_gmt":"2018-09-30T19:32:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost\/doc1000\/?p=3363"},"modified":"2018-10-02T19:36:59","modified_gmt":"2018-10-02T19:36:59","slug":"que-viva-el-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/que-viva-el-cinema\/","title":{"rendered":"\u00a1Que Viva el Cinema! *"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Doclisboa\u201918 dedica a sua retrospectiva de autor ao cineasta colombiano Luis Ospina. A sua vis\u00e3o atenta e bem-humorada do seu pa\u00eds, a sua forte paix\u00e3o pelo cinema e o seu empenho na preserva\u00e7\u00e3o do passado fazem dele uma das figuras mais importantes da hist\u00f3ria recente do cinema da Am\u00e9rica Latina.<\/strong><\/p>\n<p>Luis Ospina nasce em Cali, na Col\u00f4mbia. Estuda cinema na UCLA, onde realiza o seu primeiro filme, Acto de fe, uma adapta\u00e7\u00e3o livre do conto de Jean-Paul Sartre Er\u00f3strato. De volta a casa, torna-se num membro activo do Grupo de Cali no in\u00edcio dos anos 1970, vivendo a efervesc\u00eancia cultural e pol\u00edtica da \u00e9poca. Com um grupo de amigos chegados \u2013 incluindo Andr\u00e9s Caicedo e Carlos Mayolo \u2013, funda o cineclube de Cali e a revista de cinema Ojo al Cine. Come\u00e7am a rodar filmes. Em 1971, Cali acolhe os Jogos Pan-americanos: em Oiga, vea!, Luis Ospina e Carlos Mayolo filmam a transforma\u00e7\u00e3o da cidade e as pessoas que n\u00e3o t\u00eam dinheiro para entrar nos est\u00e1dios com um forte ponto de vista pol\u00edtico e alguma ironia. O filme mais emblem\u00e1tico desse per\u00edodo \u00e9 Agarrando pueblo (1978): uma equipa de cinema est\u00e1 a fazer um document\u00e1rio encomendado por uma televis\u00e3o alem\u00e3 e procura nas ruas de Cali pessoas pobres, para mostrar o filme na Europa, ganhar dinheiro e alcan\u00e7ar a fama. Esta s\u00e1tira c\u00e1ustica daquilo a que chamam porno mis\u00e9ria \u00e9 o \u00faltimo filme que Ospina co-realiza com Carlos Mayolo. Simultaneamente, redigem o manifesto sobre a porno mis\u00e9ria como forma de den\u00fancia.<\/p>\n<p>Posteriomente, e ao longo da sua carreira, Luis Ospina dedica v\u00e1rios outros document\u00e1rios \u00e0 sua cidade natal, descrevendo todos os aspectos da sua hist\u00f3ria, mudan\u00e7as e habitantes: Cali: de pel\u00edcula (1973), Arte-sano cuadra a cuadra (1988), Goodbye to Cali (1990), C\u00e1mara ardiente (1990-1991), a trilogia dos of\u00edcios (1991) e a s\u00e9rie Cali: ayer, hoy y ma\u00f1ana (1995).<br \/>\nUma das virtudes mais assinal\u00e1veis de Luis Ospina \u00e9 a sua generosidade intelectual. Faz filmes sobre artistas colombianos de modo a preservar a sua mem\u00f3ria. Alguns deles encontram-se entre os seus amigos mais chegados: Andr\u00e9s Caicedo: unos pocos buenos amigos (1986), sobre o prol\u00edfico cr\u00edtico de cinema e escritor que se suicidou com 25 anos; Antonio Mar\u00eda Valencia: m\u00fasica en c\u00e1mara (1987), sobre um dos pianistas e compositores de m\u00fasica cl\u00e1ssica mais famosos da Col\u00f4mbia; Fotofijaciones: retrato hablado de Eduardo Carvajal (1989), sobre o fot\u00f3grafo e director de fotografia; Nuestra pel\u00edcula (1993), com o pintor Lorenzo Jaramillo pouco antes de morrer de SIDA; ou La desaz\u00f3n suprema: retrato incesante de Fernando Vallejo (2003), sobre o autor de La virgen de los sicarios, entre outros romances \u2013 a sua amizade com Luis Ospina resulta no filme hom\u00f3nimo de Barbet Schroeder. Em 1994, a amizade de Luis Ospina com o realizador chileno Ra\u00fal Ruiz leva \u00e0 feitura de uma curta-metragem g\u00f3tica na tradi\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero da telenovela: Cap\u00edtulo 66.<\/p>\n<p>\u00c1vido cin\u00e9filo, o realizador colombiano faz um filme sobre o primeiro filme mudo do seu pa\u00eds, En busca de \u201cMaria\u201d (1985), um document\u00e1rio sobre filmes mudos dos EUA, Slapstick: la comedia muda norteamericana (1989), e uma s\u00e9rie decisiva sobre a hist\u00f3ria do cinema colombiano, De la ilusi\u00f3n al desconcierto: cine colombiano 1970 \u2013 1995 (2007).<\/p>\n<p>Luis Ospina \u00e9 acima de tudo um cineasta livre que gosta de quebrar as regras, experimentar e explorar as fronteiras entre document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o, e que olha para o mundo com um sentido de humor irreverente. Em 1971, filma o seu tributo a Andy Warhol, Autorretrato (dormido), em super 8mm. Em 1972, El bombardeo de Washington utiliza pel\u00edcula de 16mm. Quando surge o v\u00eddeo, oferecem-se-lhe novas oportunidades \u2013 faz colagens em v\u00eddeo, da curta-metragem ensa\u00edstica Video (B)art(h)es (2003) \u00e0 longa-metragem Un tigre de papel (2007). \u00c9 igualmente um montador muito habilidoso.<\/p>\n<p>Sendo cin\u00e9filo e cineasta, as suas duas longas-metragens de fic\u00e7\u00e3o, Pura sangre (1982) e Soplo de vida (1999), s\u00e3o a prova resplandecente da sua capacidade incr\u00edvel de brincar com os g\u00e9neros \u2013 filme de terror, filme noir \u2013 ao mesmo tempo que caracteriza a sociedade colombiana corrupta e padecendo de loucura e viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Em Todo comenz\u00f3 por el fin (2015), tra\u00e7a um auto-retrato do Grupo de Cali, tamb\u00e9m conhecido como Caliwood, que, no meio das festas loucas e do caos hist\u00f3rico dos anos 1970 e 80, logrou produzir um conjunto de obras que constitui uma parte fundamental do patrim\u00f3nio cinematogr\u00e1fico da Col\u00f4mbia. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de uma gera\u00e7\u00e3o. Na mesma altura, descobre que tem problemas de sa\u00fade graves e inclui isso no filme.<\/p>\n<p>Hoje continua a filmar e a ver filmes. \u00c9 director art\u00edstico do Festival Internacional de Cinema de Cali desde 2009.<\/p>\n<p>A primeira retrospectiva integral da obra de Luis Ospina na Europa \u00e9 complementada com uma carta branca ao realizador composta por cinco sess\u00f5es que inclui surpresas e descobertas.<br \/>\n\u2014 <strong>Agn\u00e8s Wildenstein<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Viva o cinema! \u2013 o t\u00edtulo da obra prima de Andr\u00e9s Caicedo \u00e9 \u00a1Que viva la m\u00fasica! [Viva a m\u00fasica!].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Doclisboa\u201918 dedica a sua retrospectiva de autor ao cineasta colombiano Luis Ospina. A sua vis\u00e3o atenta e bem-humorada do seu pa\u00eds, a sua forte paix\u00e3o pelo cinema e o seu empenho na preserva\u00e7\u00e3o do passado fazem dele uma das figuras mais importantes da hist\u00f3ria recente do cinema da Am\u00e9rica Latina. Luis Ospina nasce em <a href=\"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/que-viva-el-cinema\/\" class=\"more-link\">&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3363"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3363\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.doclisboa.org\/2019\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}