20-01-2016
Conferência com o colectivo CLAIRE FONTAINE no Museu da Eletricidade, dia 31 de Janeiro

O colectivo artístico Claire Fontaine estará em Lisboa entre 29 de Janeiro e 2 Fevereiro, para o encerramento da exposição Suite Rivolta – o feminismo radical de Carla Lonzi. No dia 31 de Janeiro às 14h o colectivo fará uma apresentação aberta do seu trabalho artístico, destinada a todos os públicos.

A apresentação gira em torno do espaço da subjectividade, concebido ao mesmo tempo como arma e campo de batalha. Esta abordagem surge da herança conceptual do feminismo italiano e das teorias de Carla Lonzi em particular. Os artistas irão expor as implicações visuais deste ponto de vista através da apresentação de diapositivos de uma selecção de trabalhos, e da projecção de alguns excertos dos filmes Untitled (You can cut anyone), Untitled (Why your psychology sucks) e Situations.

Untitled (You can cut anyone) e Untitled (Why your psychology sucks) têm como protagonista uma actriz especializada em videos promocionais de empresas, onde recita textos pilhados de mensagens de um controverso guru da auto-ajuda. A filosofia que constitui o cerne destas instruções (algures entre técnicas de sobrevivência, auto-defesa e um individualismo selvagem) orienta-se apenas para a productividade e para o Darwinismo social. De modo algo preocupante, contém alguma dose de verdade.

Situations parafraseia um DVD educativo sobre lutas de rua, convidando o visitante a reproduzir os mesmo gestos. Num diospositivo brechtiano, os actores interrompem-se constantemente para comentarem os movimentos que nos mostram; ao mesmo tempo, e através deste processo pedagógico explícito, tornam os seus gestos “reprodutíveis” por qualquer pessoa, tanto por amigos como inimigos. Apercebem-se assim que o programa de Brecht consistia em tornar os gestos “citáveis”.

Claire Fontaine é um colectivo artístico sediado em Paris, fundado em 2004 por Fulvia Carnevale e JamesThornhill. Trabalhando em neon, video, escultura, pintura e texto, o seu trabalho pode ser descrito como uma interrogação contínua da incapacidade política e da crise da singularidade que parece definir a sociedade contemporânea.