Masterclass Želimir Žilnik | Cinemateca Portuguesa

Sobre a censura

Nesta palestra, Žilnik apresentará a sua metodologia enquanto realizador e recordará as suas experiências, nos anos 1960 e 1970, quando cada filme produzido na Jugoslávia tinha de ser visto pela Komisija za Pregled Filmova (Comissão de Apreciação de Filmes), a qual, após visionamento e discussão, dava a Odobrenje za Javno Prikazivanmje (Autorização para Apresentação Pública). Sem esse papel assinado e selado (que tinha de ser acrescentado a todas as cópias), um filme não podia ser mostrado nas salas. Esta prática existia noutros países socialistas e também no Ocidente. Em 1976, quando Žilnik estava a trabalhar na Alemanha, o filme Öffentliche Hinrichtung foi “condenado” por uma comissão semelhante, chamada Freiwillige Selbstkontrolle… Esta palestra contextualiza e apresenta exemplos de quando a comissão de censura exigia mudanças nos filmes.

1. Em alguns filmes, decidia-se eliminar algumas sequências. Foi o caso de Rani Radovi, Nezaposleni Ljudi, Sloboda ili Strip, and Ustanak u Jasku.

2. Após 3 meses em sala, Rani Radovi foi acusado de reflectir a realidade socialista de forma crítica e com ironia pelo procurador público, que exigiu que o tribunal o banisse de vez. O julgamento decorreu entre 19 e 25 de Junho de 1969. Foi a maior cobertura mediática de um julgamento de uma obra de arte “ofensiva”, na Jugoslávia. Serão mostradas imagens do tribunal, incluindo a alegação de defesa de Žilnik. O processo terminou com o juiz a indeferir a acusação.

3. Há outras formas de parar os filmes, tais como acusá-los “ideologicamente”, após terem sido mostrados em festivais e em sala. Alguns filmes foram proclamados “anarco-liberais” e eliminados da esfera pública durante mais de uma década: Pioniri Maleni mi smo Vojska Prava, svakog Dana ničemo ko Zelena Trava, Nezaposleni Ljudi, Lipanjska Gibanja, Rani Radovi, Crni Film e Ustanak u Jasku. No período de transição de 1980-90, Stara Mašina e Tito po Drugi put među Srbima também estiveram sob pressão mas escaparam…

A segunda parte da masterclass centrar-se-á na cena cinematográfica actual, flutuando numa “liberdade infinita”. A questão é: são os filmes mais criativos, mais inovadores e mais valentes do que os de há 40-50 anos…?

28 OUT / 11.00, Cinemateca Portuguesa – Sala M. Félix Ribeiro

Masterclass conduzida em inglês, sem tradução

Entrada livre mediante levantamento de bilhete no próprio dia