18-06-2015
Doc no Rio: Programa de filmes completo

Veja aqui todas as informações sobre as sessões e os filmes

SESSÃO 1
26 Jun • 21.30, GARE MARÍTIMA DE ALCÂNTARA

Vinil Verde
Kleber Mendonça Filho • 2004 • BRASIL  • 17’ • 35MM • COR • PRODUÇÃO CinemaScópio, Símio Filmes

A criança e o Cinema
“Inspirado em história popular russa, Vinil Verde é narrado em tom de conto de fadas. Desde referências mais diretas, como a frase “Era uma vez”, na abertura, indo às fotografias que surgem como ilustrações de livros infantis, passando pela tripla repetição dos fatos – nos contos de fada, em geral,
os fatos repetem-se três vezes antes da conclusão, com consequências distintas –, e a provação da protagonista. Muito comum nestas histórias colhidas da oralidade, os infortúnios vividos pelo protagonista tinham o propósito de assustar e, desta forma, educar. E é esta a grande ironia do curta de Kleber: rebelde enquanto criança, Filha cresce e vira Mãe, herdando, assim, todos os seus medos e aflições.”

Beatriz Saldanha
in Cinequanon, 2/2013
http://www.cinequanon.art.br/grandeangular_detalhe.php?id=99

Da Janela do Meu Quarto
Cao Guimarães • 2004 • BRASIL • 5’ • SUPER 8MM • COR • PRODUÇÃO Cinco em Ponto

“Dois corpos se agarram na chuva, num misto de luta e brincadeira. Os dois se pegam, se empurram, se largam, se atracam de novo, numa coreografia sensual e agressiva desprovida de estilo definido. Dorso nu, calção, pés descalços na terra batida encharcada, as imagens salientam a cor morena escura dos dois protagonistas. Um é mais alto e esguio, o outro pode ser uma garota de Maria Chiquinha – não fica claro. Pouco mais há em quadro.”

Esther Hamburger
in Significação Revista de Cultura Audiovisual, 2008, Vol. 35, nº 30, 167-174

Elena
Petra Costa • 2012 • BRASIL • 82’ HD • COR • PRODUÇÃO Busca Vida Filmes

Seja bem-vinda, Elena
“Petra Costa, também narradora do filme, busca sua irmã. Vai a Nova Iorque na esperança de encontrá-la. Percorre a cidade, encontra o amigo que falou com ela por último. Ao mesmo tempo, recorre aos vídeos gravados por ela, às cartas manda­das para a família, em fitas K-7, quando vivia sozinha nos Estados Unidos. Mesmo sabendo que ela não responderá, começa a narração off dirigindo-se a Elena. É a maneira que encontrou para falar com ela. Nessa busca, desafia interdições decretadas aparentemente por temor que pudesse repetir o ato de Elena – não podia ir morar em Nova Iorque, nem ser atriz. Queriam que esquecesse a irmã. E Petra admite que andando pelas ruas ouvindo a voz de Elena começa a se “perder” nela. Mas não só escapa a essa fatalidade, como acaba conquistando a conivência da sua mãe que participa da procura e tem presença destacada no filme.”

Eduardo Escorel
in Revista Piauí, 6/5/2013
http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-cinematograficas/geral/seja-bem-vinda-elena

SESSÃO 2
27 Jun • 21.30, GARE MARÍTIMA DE ALCÂNTARA

O Lençol Branco
Juliana Rojas, Marco Dutra • 2004 • BRASIL • 16’ • 35MM • COR • PRODUÇÃO  Universidade de São Paulo

Sete Curtas de Juliana Rojas e Marco Dutra
“Aqui sim é um trabalho de respeito. Os dois diretores já parecem dominar a gramática cinematográfica ao contar a história de uma jovem mulher que, depois de um transe, viu que sua filha recém-nascida estava morta. O destaque da menina morta esperando o legista em cima do sofá e debaixo de um lençol branco é muito incômodo. E já desde o começo de O Lençol Branco (2004), quando a protagonista tenta amamentar a criança, passa uma ideia de corpo estranho.”

Ailton Monteiro
in Diário de um Cinéfilo, 26/03/14
http://cinediario.blogspot.pt/2014/03/sete-curtas-de-juliana-rojas-e-marco.html

Sinfonia da Necrópole
Juliana Rojas • 2014 • BRASIL  • 85’ • HD • COR • PRODUÇÃO  Avoa Filmes

Sobre cantar e morrer
“A impureza de Sinfonia da Necrópole (para ficarmos na defesa de André Bazin à mistura de linguagens e formas das outras artes dentro da mecânica do cinema) vai mais longe por se tratar essencialmente de um filme musical – ou, antes disso, ritmado pelo uso constante e pontual de músicas que substituem alguns diálogos entre persona­gens. Rojas equilibra o devaneio da cantoria com a concretude da realidade espacial do filme, ao sempre puxar as canções a partir de elementos vislumbráveis na cena – a pá e os tijolos dos coveiros, a sala de caixões, as gotas da chuva no parabrisa do carro, os barulhos misteriosos de uma noite no cemitério, os ossos de um defunto em avançado estado de putrefação.”

Marcelo Miranda
in Revista Cinética, 26/7/2014
http://revistacinetica.com.br/home/sinfonia-da-necro­pole-2014-de-juliana-rojas/

SESSÃO 3
28 Jun • 21.30, GARE MARÍTIMA DE ALCÂNTARA

Fantasmas
André Novais • 2010 • BRASIL • 12’ HD • COR • PRODUÇÃO Filmes de Plástico

III Janela Internacional de Cinema do Recife: um Festival de Gente Grande
“Filme curiosíssimo, mostra-nos um posto de gasolina e suas imediações, complementados pela conversa de dois rapazes (que em momento algum aparecem); não é difícil perceber tratar-se duma câmera (mesmo antes que os diálogos confirmem a suspeita) e o desfecho é surpreendente, criativo e um tanto absurdo (e, no entanto, verossímil): ver para esquecer (se não deu para entender, assistam o filme; não fui mais específico para não estragar a possível surpresa).”

Alberto Bezerra de Abreu
in Miradouro Cinematográfico, 11/2/2011
http://miradourocinematografico.blogspot.pt/2011/02/iii-janela-internacional-de-cinema-do.html

A Cidade é uma só?
Adirley Queirós • 2014 • BRASIL • 73’ • HD • COR • PRODUÇÃO  Cinco da Norte

Um Filme Raro de se ver
“Mas não há porquê complicar: o que realmente impressiona em A Cidade é uma só? é a facilidade com que o filme se desvia do truque narrativo inicial para atingir uma simplicidade absoluta no diálogo que estabelece com o espectador – uma relação que, acima de tudo, reforça a admirável autenticidade de seus personagens e das situações registradas. O núcleo de Nancy, uma mulher que, quando criança, participou do coro que entoava a canção tema da campanha, é sempre interessante, mas é difícil negar que a grande força de A Cidade é uma só? vem mesmo é da história de Dildu, o operário da Ceilândia cansado do descaso dos políticos com o povão que resolve investir, mesmo sem recursos financeiros, em uma campanha para a eleição a deputado distrital de Brasília – através do fictício Partido da Correria Nacional (PCN).”

Daniel Dalpizzolo
in Cineplayers, 13/2/2012
http://www.cineplayers.com/critica/a-cidade-e-uma-so/2354